A Internet é um mundo sem lei, regras, comportamento e onde as pessoas colocam pra fora todo aquele ressentimento de ter sido o mais sacaneado na escola. É fácil fazer um blog, um fotolog, um site, qualquer coisa que mostre que você é bom. Melhor ainda é mudar o nome para poder criar um mito. Nesse seu espaço a pessoa poderá ser dona do planeta, xingar à vontade e bancar o inteligente/intelectual/fodaralho para impressionar o bando de carentes que a mesma Internet possui. Aquele pessoal à procura de ídolos e gurus para seguir. Sempre existiram, mas agora é muito mais fácil de encontrar o seu próprio Messias.
O outro lado também é interessante. Quem tem blog sabe. É um tal de receber comentário xingando, esculachando e mandando para lugares que nem o Atlas dos palavrões conhece. Só que aí fazem unidunitê na lista telefônica e colocam o primeiro nome que o dedo aponta. Ou pior, são anônimos. Ironia das ironias. Querem ser os caras fodões que humilharam o autor, mas na hora de dizer o nome pro mundo ouvir, são anônimos. Estão garantidos pelo fato de ainda não terem inventado um meio de socar uma pessoa pelo monitor. Assim, vão bancando os garanhões que queriam ser quando crianças.
E os autores? É um show de blog moderado por aí. Tudo bem, o blog é a casa do cara e até concordo que uma moderação possa existir, mas imagina se fosse assim na vida real? Você está fazendo um discurso e fala uma coisa impactante. Alguém dá uma resposta que te quebra, mas o evento é moderado e ninguém fica sabendo. Você tem tempo de pegar a resposta, pensar numa melhor ainda, mais sarcástica e desmoralizante e só então pode liberar e acabar com a pessoa. Isso quando publica. Tem sempre a opção de não publicar nada e depois ainda dizer, sem dar chance à defesa do leitor, que era um comentário “lixo, burro e que não deveria estar entre os demais para não poluir o ambiente”.
Pois é, só que o mundo não é assim. Só o virtual mesmo. As mesmas pessoas que moderam tudo são as primeiras a criar boicote às Olimpíadas, a reclamar com a velha e surrada desculpa da liberdade de imprensa e que tudo que é censurado é ditadura. Mas liberar o blog pra quê? É até burrice, uma vez que a tática inversa já se mostrou eficaz com as crianças. Basta fazer o oposto do que prega. Se liberar, com certeza os xingamentos vão diminuir, porque até mesmo o chato sabe a hora de parar. Além do que, o meliante será ignorado pelos que debatem e vai procurar outro bordel pra afogar as mágoas. Mas ficar retendo apenas garante que a mentalidade do autor jamais irá mudar, suas opiniões serão sempre soberanas no seu espaço e ninguém vai evoluir.
O que acho mais engraçado é que blogueiro adora bater em jornalista. É tão patético isso. Os caras nada mais são do que jornalistas que escrevem suas colunas sem ganhar dinheiro. Queriam mesmo era ter um espaço no jornal mais sinistrão e que tudo o que escrevessem fosse discutido pelas pessoas mais importantes e influentes. Mas vai falar isso prum blogueiro de renome. Vai logo te dizer que “não se submete às oligarquias e ao mundo sujo e vendido da grande mídia, com jornais que só publicam os que os anunciantes querem”.
Eu não sou um obcecado por audiência, visitantes, page-views, clicks, adsense, twitter, linkar pra isso e aquilo. Gosto do blog apenas como um lugar onde posso desabafar sem precisar pagar R$ 160,00 por hora prum terapeuta. No dia que quiser eu acabo com ele e sigo minha vida. Passei quase 30 anos sem numa boa. E não modero comentários porque acredito ser essa a essência do blog: você escreve, as pessoas comentam. Se ninguém lê, comenta ou divulga, dane-se. Pelo menos eu coloquei pra fora o que quero sem parecer um maluco falando sozinho na rua. E sempre, em todos os lugares, sempre assinei meu nome. E diria na cara de qualquer pessoa as mesmíssimas palavras. Sem moderação.
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